Áreas Prioritárias de Conservação na Bacia do Douro

Estudo: Áreas Prioritárias de Conservação na Bacia do Douro

Este estudo provém de uma parceria entre o GEOTA e a FCT NOVA, no âmbito da Rede Douro Vivo.

A água doce é um recurso natural de valor inestimável, escasso e essencial à vida na Terra. Embora apenas 0.8% da superfície terrestre esteja coberta por água doce, os ecossistemas de água doce, nos quais se incluem os rios, são essenciais para cerca de 10% do total de espécies conhecidas, incluindo 1/3 de todas as espécies de vertebrados (Strayer e Dudgeon, 2010). Estes ecossistemas providenciam ainda um conjunto de serviços imprescindíveis ao bem-estar humano; os rios constituem recursos naturais valiosos, em termos económicos, culturais, estéticos, científicos e educacionais. Inegavelmente, é do nosso interesse crítico a boa conservação e gestão dos ecossistemas de água doce. No entanto, e apesar da sua importância, a biodiversidade de água doce tem sofrido um declínio acelerado a nível global. O índice de populações selvagens nos ecossistemas de água doce caiu 83% desde 1970, mais do dobro da taxa de declínio de espécies de ecossistemas terrestres e marinhos (WWF, 2018), e a taxa de perda ou degradação de zonas húmidas é três vezes superior à taxa de perda de florestas (IPBES, 2019).

A designação de áreas protegidas é uma das medidas aplicadas com o objectivo de promover a conservação da biodiversidade e a restauração ecológica dos ecossistemas. As metas de Aichi, estabelecidas pelas Nações Unidas, no âmbito da Convenção para a Diversidade Biológica (https://www.cbd.int/sp/targets/), têm como objectivo reduzir ou parar a perda de biodiversidade. Em particular, a meta 11 estabelece que, até 2020, pelo menos 17 por cento de águas interiores terão sido conservados por meio de sistemas de áreas protegidas interligados, ecologicamente representativos e geridos efectiva e equitativamente. Também na estratégia de protecção da biodiversidade do Pacto Ecológico Europeu está estabelecido o compromisso de, até 2030, pelo menos 30% da área terrestre da União Europeia ter um estatuto legal de protecção (EC, 2020).

Estudos anteriores indicam que os conceitos tradicionais de áreas protegidas são insuficientes para salvaguardar os ecossistemas fluviais, sendo útil a criação de novas figuras de protecção (CEDOUA, 2019). Neste sentido, foi lançada em 2020 a Iniciativa Legislativa de Cidadãos ´Rios Livres’ (GEOTA, 2020).

No âmbito da Rede Douro Vivo, o objectivo específico do presente trabalho é identificar áreas prioritárias para a conservação da biodiversidade, com potencial para criação de reservas naturais fluviais. A análise é baseada em dois critérios principais: (i) a qualidade ecológica conhecida e (ii) a oportunidade para melhorar a conectividade ecológica e aproximar o regime hidrológico ao natural.

Este trabalho de proposta de áreas prioritárias parte dos resultados obtidos nos trabalhos de caracterização do estado ecológico da bacia do Douro e o estudo de identificação das barreiras prioritárias para remoção. A análise à biodiversidade da bacia do Douro revelou uma grande assimetria na distribuição da biodiversidade.

De forma geral, verifica-se um forte declínio da biodiversidade na área central da bacia, em Espanha, causada pela quebra de conectividade, eutrofização e presença de espécies invasoras. Os habitats com maior biodiversidade localizam-se em Portugal, sobretudo na margem norte do Douro, nos territórios das cabeceiras dos rios. Estes territórios, menos impactados pela construção de barragens e outras pressões antropomórficas, apresentam também melhores índices de qualidade da água.

Download Estudo Completo:

(Áreas Prioritárias de Conservação na Bacia do Douro)

GEOTA Apresenta Estudo da Rede Douro Vivo – Estarão as barragens a matar os rios em Portugal?

A Rede Douro Vivo é um projeto que resulta de uma parceria multidisciplinar de cientistas, ambientalistas, conservacionistas e especialistas na área jurídica e da participação pública, nacionais e internacionais.

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