Perguntas frequentes

Algumas perguntas habituais sobre o projecto.
  • Porque é que o Douro precisa de uma rede como esta?

    “A exposição prolongada de um ecossistema aquático a uma dada pressão (poluição difusa) provoca alterações profundas, e que são agravadas se existir um impacte cumulativo com pressões de natureza hidromorfológica. Assim como vários outros casos a nível europeu, verifica-se no Douro que é no impacte cumulativo entre poluição difusa e barragens que está uma das principais causas da má qualidade da água.”

    Neste momento, a bacia do Douro está a passar por uma fase de degradação. Esta degradação tem duas causas: o efeito conjunto entre poluição difusa (maioritariamente provocada pela agricultura) e a existência de barragens.

    As barragens são vistas frequentemente como fonte de energia verde e uma solução para a escassez de água. Nem sempre isto é verdade. Além disso, raramente são exploradas as alternativas à sua construção ou os impactes que têm no ecossistema.

    No caso do Douro, existe falta de informação. Não conhecemos o estado químico da maioria das massas de água, tal como acontece no Tejo. E, ao contrário do Tejo, não são conhecidas as localizações e características das barreiras existentes nos rios do Douro.

    Em termos legais, não existe um enquadramento jurídico que permita classificar uma barreira como obsoleta ou insustentável. Não há um mecanismo de salvaguarda legal dos rios que são ainda livres, como é o caso dos EUA e Espanha, entre outros.

    Em todos os cenários de alterações climáticas para a região Mediterrânica, é previsto um aumento da frequência e intensidade de fenómenos extremos: desde secas a cheias. Temos de saber adaptarmo-nos a esses cenários, sobretudo na gestão da água. A Rede Douro Vivo estudará todos estes fatores e apresentará soluções com bases sólidas para o sucesso de iniciativas a tomar no futuro.

  • Que alternativas existem às barragens?

    Para obter electricidade, existem várias alternativas à construção de barragens. Estas alternativas incluem o uso eficiente (nomeadamente a poupança) de energia, o reforço de potência das barragens existentes, a energia eólica e a solar, entre outras, que estudaremos.

    A melhor alternativa é de longe a poupança de energia: tem o maior potencial entre todas as fontes energéticas e, nas condições económicas e ambientais atuais, é a única opção com balanço económico e ecológico positivo, preservando recursos naturais e financeiros. Se a aposta for em nova produção, é necessário ter em conta que o maior potencial por explorar em Portugal está na energia solar, não na hídrica.

    Para a obtenção de água, neste momento, 75% dos consumos em Portugal são para produção agrícola. O tipo de agricultura praticado é, muitas vezes, inadequado ao nosso clima e solos. A agricultura intensiva e de espécies de regadio está na origem dos exorbitantes consumos de água, que rapidamente esvaziam albufeiras. Por muitas barragens que se construíssem, nunca seriam suficientes, caso continuem a aumentar exponencialmente este tipo de produções agroalimentares. Além da adequação ecológica das técnicas e espécies utilizadas, deviam ser adotadas Medidas Naturais de Retenção da Água, de modo a conseguir captar e armazenar água para os usos necessários a uma escala mais pequena, local e descentralizada.

    Porque acreditamos que a construção de novas barragens não é a única alternativa para fazer face às necessidades de água, as soluções que referimos – bem como outras – serão estudadas e divulgadas pela Rede Douro Vivo.

  • Como nasce este projeto?

    Enquanto país, temos dado pouca atenção ao Douro e seus efluentes. No entanto, é aqui que se têm verificado as maiores alterações – e, por vezes, agressões – ao rio. Por exemplo, atualmente existem várias zonas cuja qualidade da água não cumpre a Diretiva Quadro da Água.

    Além disso, preocupam-nos os impactes cumulativos de todas as infraestruturas que têm sido criadas neste território. Um exemplo disso, é a retenção de sedimentos e consequentes impactes na erosão costeira.

    Nesse sentido, o GEOTA sentiu a necessidade de estudar o que já existe na bacia,do ponto de vista ecológico, social e legal. E de envolver as comunidades no planeamento e gestão de usos da água.

    Foi nesse sentido que foi criada a Rede Douro Vivo, que reúne um conjunto de várias entidades, nacionais e internacionais. Para que haja uma união de experiências e conhecimentos. Para as conhecer, visite o separador “Quem Somos”.